Exorcismo. substantivo masculino 1. Oração religiosa com que se esconjura o Demônio, os espíritos maus, etc.
Se é possível tirar esta palavra do contexto religioso e trazê-la para meu mundo de desencontros, eis a oportunidade. Desde domingo não quero falar sobre nada. Silenciosamente o meu coração foi se fechando e trancou-se. Privou-me da vontade que goza o homem que fala cheio de embasamentos. Alguma coisa parou de funcionar. Sei que é impossível desconsiderar a carga poética, que de alguma forma busco registrar, mas acho que foi o coração. E só parou. Não deixou de sentir, aliás, o agente da ação de fazê-lo parar foi o sentir demasiado.
Abre parêntese: Se Gregório de Matos estivesse escrevendo ou descrevendo meu intento aqui, talvez registrasse: "...mas isto é só a porra da emoção brincando com a razão". Fecha parênte.
O caso aqui, talvez digno de um exorcismo, é meu ciúmes. Não apenas meu ciúmes, mas uma questão: é só meu ciúmes ou a constatação de um egoísmo decidido, resolvido, resoluto, imutável? E não vamos misturar: o ciúmes é meu, o egoísmo é seu. Beirando o slogan do biscoito: eu sou ciumento porque você é egoísta, ou você é egoísta e por isso eu sou ciumento? Se o ciúmes é a manifestação do egoísta que deseja algo ou alguém, só para si, como não chamar de egoísta aquele que deseja sua própria vida só para si? E qual deles é pior? .
Caminho na construção de um mosaico, que não me julgo capaz de resolvê-lo de uma só vez. Gostaria de resolvê-lo como fazem os exorcistas, que expulsam dos possessos os que lhes perturbam e ponto. Se não puder tocar neste mosaico novamente, alguém poderá chamá-lo confuso, barroco, etc. que não me falte lã no tear para perseguir qualquer significado.
Concluo dizendo que falta muita coisa aqui. Parágrafos que funcionariam como peças de um quebra-cabeça comum, mas de grande importância para minha própria compreensão do que ele pode significar. Mas, se não faltar, que restará?
Péricles R. Bonfim